A Reforma tributária já é uma realidade e começa a impactar diretamente o dia a dia das corretoras de seguros. Com entrada em vigor a partir de 2026, o novo modelo traz mudanças relevantes na forma de tributação, na apuração de créditos, na emissão de notas fiscais e na própria estrutura de precificação dos serviços. Para aprofundar esse tema, a Moltrio realizou uma live com Carlos Melo, fundador do Grupo CAOM, membro da Comissão de Tributos do Sincor-SP, contador, corretor de seguros e especialista em contabilidade para corretoras de seguros, trazendo uma visão prática sobre os impactos da nova legislação no setor.
Mais do que uma alteração técnica, a Reforma tributária representa uma mudança estrutural na forma como as corretoras organizam sua operação financeira e fiscal. Nesse cenário, quem se antecipa e entende as novas regras terá vantagem competitiva, enquanto quem adiar a adaptação pode enfrentar aumento de custos, erros operacionais e riscos fiscais. A boa notícia é que, com informação e organização, é possível transformar essa transição em uma oportunidade de crescimento e profissionalização da corretora.
Regimes tributários: simples, híbrido e presumido

Um dos pontos centrais da Reforma tributária está na forma como os regimes tributários passam a impactar as corretoras de seguros. O Simples Nacional, bastante utilizado no setor, continua existindo, mas passa a conviver com a nova lógica trazida pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Na prática, quando IBS e CBS entrarem em vigor, as empresas optantes pelo Simples poderão escolher entre permanecer no modelo tradicional — sem gerar créditos tributários para seus clientes — ou aderir a um formato em que esses tributos são destacados fora do Simples, permitindo a geração de crédito para quem contrata o serviço. Essa mudança impacta diretamente a competitividade da corretora, especialmente no relacionamento com clientes corporativos, que tendem a priorizar fornecedores que possibilitem aproveitamento de créditos.
É aí que surge o chamado modelo híbrido. Nele, a corretora permanece no Simples Nacional, mas passa a destacar IBS e CBS separadamente, abrindo mão de parte da simplificação para se tornar mais competitiva no mercado. Já o regime de lucro presumido também ganha relevância, pois, dentro da lógica da não cumulatividade, pode oferecer vantagens dependendo do perfil da operação e do tipo de cliente atendido.
A escolha do regime, portanto, deixa de ser apenas uma decisão contábil e passa a ser estratégica, exigindo análise cuidadosa sobre carga tributária, perfil da carteira e posicionamento da corretora diante do novo cenário da Reforma tributária.
O impacto do crédito fiscal na competitividade
Outro ponto que ganha destaque na Reforma tributária é o novo sistema de créditos fiscais. A lógica de “não cumulatividade” passa a ser ampliada, o que significa que empresas poderão aproveitar créditos ao longo da cadeia.
Na prática, isso muda a forma como a corretora de seguros se posiciona diante de seus clientes. Empresas que conseguem gerar crédito tendem a ser mais atrativas, principalmente no segmento corporativo.
Por outro lado, corretoras que não se adaptarem podem perder competitividade, especialmente em negociações com clientes mais estruturados. O crédito fiscal deixa de ser um detalhe técnico e passa a influenciar diretamente a decisão de compra.
Além disso, entender como esses créditos funcionam será essencial para evitar erros na apuração e garantir que a corretora esteja operando de forma eficiente dentro das novas regras da Reforma tributária.
CNAE e tributação: atenção às diferenças entre produtos

A classificação correta das atividades também ganha ainda mais importância. A Reforma tributária reforça a necessidade de atenção aos códigos CNAE, já que diferentes produtos podem ter incidências tributárias distintas.
No mercado de seguros, isso é particularmente relevante, pois uma mesma corretora pode atuar com diferentes linhas, como vida, saúde, odontológico, pet, previdência privada e consórcio. Cada uma dessas operações pode ter impactos fiscais diferentes.
Uma classificação incorreta pode gerar pagamento indevido de impostos ou até problemas com fiscalização. Por isso, revisar o enquadramento das atividades ao CNAE correto e garantir que tudo esteja alinhado com a realidade da operação é um passo essencial nesse momento.
Emissão de nota fiscal
A emissão de notas fiscais também passa por mudanças importantes com a Reforma tributária. O modelo tende a ficar mais rigoroso e integrado, exigindo que as notas fiscais emitidas pelos corretores de seguros para as seguradoras sejam emitidas por apólice e não mensais, como é feito de costume. Então, tudo indica que quem vai repassar o crédito para o cliente final é a seguradora.
Erros comuns, como emissão incorreta de notas ou divergência entre valores faturados e recebidos, podem gerar inconsistências fiscais e problemas futuros de utilização dos créditos. Com o novo sistema, a margem para erro diminui consideravelmente.
Riscos fiscais, sonegação e a importância da estrutura correta
A Reforma tributária veio para combater a sonegação e também aumentar o nível de controle e fiscalização, o que torna ainda mais arriscadas práticas informais ou tentativas de sonegação. Operar fora do enquadramento correto, não emitir nota ou não declarar valores pode gerar consequências significativas como perdas de vendas e de clientes, por não transmitir os créditos para os clientes no final.
O novo sistema tende a ser mais transparente e integrado, o que facilita o cruzamento de informações pelos órgãos fiscalizadores. Ou seja, operar de forma estruturada deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.
Corretores que ainda trabalham com processos informais precisam rever sua estrutura o quanto antes para evitar problemas futuros e garantir conformidade com a Reforma tributária.
Como a tecnologia ajuda sua corretora a se adaptar

Diante de tantas mudanças, fica claro que a adaptação à Reforma tributária exige organização, controle financeiro e visão estratégica. E é exatamente nesse ponto que a tecnologia se torna uma aliada fundamental.
Com a Moltrio, sua corretora passa a ter controle total sobre faturamento, comissões, emissão de notas e fluxo financeiro. A plataforma permite organizar informações de forma integrada, reduzindo erros e garantindo mais segurança na gestão.
Além disso, a automação de processos facilita o acompanhamento de recebimentos, repasses e obrigações, tornando a operação mais eficiente e preparada para atender às novas exigências fiscais.
Outro diferencial importante é a visibilidade. Com relatórios e dashboards completos, a corretora consegue acompanhar sua performance financeira em tempo real, identificar inconsistências e tomar decisões com base em dados concretos.
Em um cenário onde a Reforma tributária exige mais precisão e controle, operar com planilhas ou processos manuais deixa de ser viável.
Preparação é o diferencial competitivo
A Reforma tributária não é apenas uma mudança na legislação — ela redefine a forma como as corretoras de seguros operam, se posicionam e crescem no mercado.
Corretores que se anteciparem, entenderem as novas regras e estruturarem sua operação terão vantagem competitiva clara. Já aqueles que deixarem para depois podem enfrentar dificuldades operacionais, aumento de custos e riscos fiscais.
Se a sua corretora quer atravessar essa mudança com segurança, organização e inteligência, a Moltrio pode ser a parceira ideal.
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